O desmatamento na Amazônia brasileira caiu para o menor nível em mais de uma década, segundo novos dados do governo. Essa conquista animadora ocorre poucos dias antes da COP30, a cúpula climática das Nações Unidas.
Entre agosto de 2023 e julho de 2024, a perda florestal na Amazônia caiu 11,08%, totalizando o menor índice desde 2014: 5.796 quilômetros quadrados (cerca de 2.238 milhas quadradas). A avaliação anual, publicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), reforça o sucesso da agenda ambiental do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula, que prometeu acabar com todo o desmatamento no Brasil até 2030, comemorou os dados como prova de que suas políticas estão funcionando. Desde que assumiu o cargo no início de 2023, a destruição da Amazônia foi reduzida pela metade.

“Nem nos meus melhores planos eu imaginaria que chegaríamos a este ponto com uma redução de 50% no desmatamento”, disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante uma coletiva de imprensa.
Uma recuperação ecológica mais ampla
A desaceleração vai além da floresta tropical. No Cerrado brasileiro, outro bioma crucial para a biodiversidade e o armazenamento de carbono, o desmatamento caiu 11,49%, para 7.235 quilômetros quadrados (cerca de 2.794 milhas quadradas), o menor índice em seis anos e o segundo ano consecutivo de declínio.
O Cerrado havia sofrido quatro anos seguidos de aumento do desmatamento, incluindo o primeiro ano de mandato de Lula, o que torna o progresso recente especialmente significativo.
Ambientalistas afirmam que os resultados destacam o potencial de políticas, fiscalização e monitoramento coordenados para gerar um impacto tangível. Desde o retorno de Lula ao poder, o Brasil reativou importantes agências ambientais, fortaleceu a fiscalização do desmatamento ilegal e ampliou a proteção dos povos indígenas. Todas essas medidas são consideradas pelos especialistas como responsáveis pela reversão da tendência de perda florestal desenfreada.

Desafios ainda pela frente
Apesar dessas vitórias ambientais, o governo Lula tem enfrentado críticas por apoiar a Petrobras, estatal petrolífera, em sua tentativa de perfurar poços perto da foz do Rio Amazonas. Ambientalistas alertam que a expansão da exploração de combustíveis fósseis pode prejudicar a credibilidade climática do Brasil, mesmo enquanto o país celebra avanços no combate ao desmatamento.
Ainda assim, a trajetória geral permanece positiva, com o Brasil retomando a liderança global no combate às mudanças climáticas, às vésperas da COP30. O sucesso do país na redução do desmatamento não só apoia as metas globais de biodiversidade e carbono, como também oferece um exemplo promissor de como a vontade política pode impulsionar a recuperação ambiental.
Como observou Marina Silva, os dados demonstram que o progresso é possível: “Estamos provando que é possível crescer economicamente, reduzir a desigualdade e proteger o meio ambiente ao mesmo tempo”.

