O Brasil declarou estado de emergência ambiental em todo o país para evitar outra temporada de incêndios devastadora em 2025. Em 2024, incêndios recordes queimaram milhões de hectares de vegetação nativa na Floresta Amazônica e em outros biomas ricos em biodiversidade.
A medida, decretada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em 27 de fevereiro, concede às autoridades poderes e recursos adicionais para conter os incêndios florestais antes que se alastrem descontroladamente.

O governo federal brasileiro contratará 250 bombeiros federais adicionais e destinará 45 milhões de reais (US$ 8 milhões) a seis dos oito estados amazônicos para reforçar os corpos de bombeiros estaduais. O estado de emergência deve durar entre agosto de 2025 e abril de 2026, dependendo da região.
“Este é um esforço coordenado do governo para avaliar os riscos antes que o desastre aconteça”, disse João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, em coletiva de imprensa. “O conjunto de medidas ajudará a reduzir o risco de incêndios florestais em todo o país.”
Ane Alencar, diretora científica do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM), disse ao Mongabay que a medida “prepara o terreno para ações preventivas precoces e destaca a necessidade de organizar as brigadas de incêndio antes do início da estação seca. Mas, para que esses esforços sejam realmente eficazes, os governos estaduais também devem fazer a sua parte.”
Em 2024, a Amazônia brasileira queimou em seu ritmo mais acelerado em mais de uma década, com mais de 278.000 focos de incêndio registrados, alimentados por uma seca histórica. No Pantanal, a maior área úmida tropical do mundo, localizada no oeste do Brasil, as chamas devastaram 16% do bioma, impactando mais de 2,3 milhões de hectares (5,7 milhões de acres).

Apesar do aumento no número de incêndios, a taxa de desmatamento na Amazônia brasileira caiu 30% entre 2023 e 2024, atingindo o menor nível em seis anos.
Agora que o El Niño, fenômeno que causa condições mais secas no norte do Brasil, abrangendo grande parte da Amazônia, não está mais presente, espera-se que 2025 seja muito menos seco do que os últimos dois anos. Mas ainda há motivos para preocupação.
Estudos mostram que, uma vez que a floresta tropical tenha sido queimada, ela se torna mais suscetível a incêndios no futuro.
“Não é uma situação confortável, pois ainda existem vastas regiões em condições de seca”, disse Rodrigo Agostinho, presidente do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Agricultura).

